Procura-me


Procura-me
Não me procures na brisa suave,
Quente e morna que docemente, beija o verão.
Não estarei nessa atraente troca de serenidade.
Procura-me na ventania de outono,
Que todas as folhas leva consigo,
Arrancando cada pedaço dourado e amarelo,
Que tão urgentemente as árvores guardam para si.
É aí que me encontras, entre o frenesim esvoaçante e alegre,
Que eleva mil tons de amarelo no ar.
Não me procures na doçura de uma onda calma,
Desmaiada na preguiça da areia mais fina e quente.
Não estarei nessa maravilhosa tela de romance e sedução.
Procura-me nas ondas rebeldes, que tudo sacodem à sua passagem,
Chicoteando salpicos de espuma bem no alto.
É aí que estarei viva, troçando dos casais apaixonados,
Que à beira mar reproduzem uma qualquer passagem do mais romântico filme de cinema.
Não me procures na mais bela sinfonia clássica,
Perfeita em toda a sua harmonia musical,
Que se impõe em todo o seu esplendor,
Com a altivez merecida de uma imperatriz.
Não estarei nessa elegante e maravilhosa bênção dos deuses.
Procura-me numa gargalhada estridente, trapalhona e audivelmente indiscreta,
Que incómodo, ou divertimento provoca a quem a inadvertidamente escuta.
É nessa despreocupada e inconveniente risota que existo,
Alheia de toda e qualquer crítica merecidamente dirigida.
Mas procura-me.
Não deixes de me procurar.
Não sou fácil de ser encontrada. Sou até bem mais desafiante e complicada de encontrar.
Mas não deixes de me procurar.
Pois no instante em o faças,
É o momento em que a brisa acalma e serena,
O mar desmaia lento e preguiçoso,
E a gargalhada dá lugar a um sorriso triste e mudo.
Procura-me,
E encontrar-me-ás.

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