Mulheres que amam demais


Acho que sou daquelas mulheres que amam demais. Ou então sou tão notoriamente carente, que até causo enfado, a quem de mim se aproxima um pouco mais. Talvez o problema até seja esta minha mania de ser honesta demais com o que sinto, deixando transparecer, sem reservas o turbilhão que vai dentro de mim quando me apaixono, de peito aberto e coração ao alto. E não aprendo. Das duas uma: ou sou declaradamente lenta de compreensão, ou a diminuta experiência no amor, faz-me agir sempre de forma igual e com facturas bem altas para o meu crédito emocional inexistente, tentar pagar.
Portanto e em suma, ou amo demais ou sou carente demais e, para enriquecer este perfil tão “rude”, ainda ou sou ridiculamente “lentinha” ou então vivi debaixo de uma pedra a vida toda. É que em boa verdade se diga, a expressão “tu não existes!”, que já tantas vezes ouvi em distintos contextos, é na volta bem mais acertada que julgaria. Não existo mesmo. Devo viver num eterno conto de fadas, que a Disney tão épica e grandiosamente abrilhanta com melodias fabulosas e que garante, que se fizermos o que o nosso coração nos diz, somos inteiramente felizes. Não entra é nessa afirmação de identidade, a realidade de que ao alegremente se ser fiel a nós próprios, nos esquecemos que o mundo que nos rodeia é mais preenchido com aqueles que guardam para si o que sentem, do que aqueles que corajosamente os demonstram sem entraves.

E eu sou desses inglórios espécimes, que nadam contra a maré, mas que de facto se cansam ainda mais que os outros e, que acaba por exausta e sem ânimo, se deixar seguir na corrente, observando que se ali também veio parar, de nada serviu o esforço de ter nadado vigorosamente. E no entanto, é inútil.
Sei que vou continuar a não conseguir calar a meiguice e doçura que o meu coração transborda. Sei que vou continuar a ser talvez mais uma mulher que ama demais, ou que é notoriamente carente. E como lenta de compreensão já sei que sou, então que em tudo isto, pelo meio passo eu a ganhar a tal experiência no amor que ainda é diminuta e saiba um dia, também eu, ser como os outros e guardar para mim o que sinto. Até lá, vou nadando contra a corrente… ao menos mantenho-me resistente…

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2 comentários em “Mulheres que amam demais”

  1. Resistente!!! SEMPRE!…
    Voto em ti miúda gira!!!… (Todos somos carentes)
    A Disney é do melhor, quando temos os pés bem assentes na Terra!!! e Tu tens!!..
    Não pares de sonhar!!! É sempre bom termos a nossa criança interior!! 😉

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