E quando te perdes?


E quando te perdes? Não quando te perdes em alguém, pela profunda e sentida troca de essências, que te completa e te preenche, formando um todo de um só, em duas pessoas. Não é dessa perda disfarçada de encontro mútuo que falo. É quando te perdes em ti mesmo. Quando deixas de ter a certeza se a luz está acesa ou apagada, e na verdade, nem candeeiro existe… e tu nem reparas que sempre esteve escuro, pois a claridade nunca chegou a entrar para te mostrar a diferença. Ou se entrou, já era tão grande a perca em ti mesmo, que nem apenas um raio de luz, foi capaz de encandear os teus olhos outrora sensíveis a tudo o que te rodeava.

Então, e quando te perdes em ti próprio? Quando já não sabes ser quem sempre foste e pior que isso, não tens a certeza se alguma vez chegaste a ser tu mesmo, pois já tanta vez, te tentaram ajudar a te encontrares, que sentes que te transformaste num aglomerado de ideias, incentivos e certezas de muitos, menos a tua, que quando julgas tentar conseguir ser quem realmente és, hesitas. E perdes-te de novo. E precisas de encontrar-te. Mas como encontrar algo que nem se chega a entender que se perdeu? Como aprender a ser si, em si mesmo, se nunca a sua própria existência, numa realidade concreta se assumiu? É quando te sentes só, tudo te faz falta, porque na realidade o que te falta és tu mesmo. E tudo o resto é uma salvação, esquecendo que TU existes e na realidade, de facto abandonado… por ti mesmo!

Abraça pois o egoísmo, deixa entrar o narcisismo e começa apenas por entender que a única maneira de se encontrar algo que não se sabe que se perdeu, é procurar no que já se tem e não no que se julga precisar ter…

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