Então é Natal


Então é Natal. A azáfama dos presentes, a euforia das crianças, o brilho nos olhos de quem já a idade muito atesta, mas a magia da época mais bela do ano se regenera e se manifesta. A saudade.

Da mãe que ansiosamente aguarda o telefonema do filho que a distância separa, sente hoje ainda mais, a vontade de ser criança e daquele abraço que palavras não descrevem… A saudade da filha, que sempre amou o Natal, por ter o amor dos pais e depois de um deles, perto da altura de celebrá-lo, partir para jamais voltar, aguardar ansiosamente a altura do reencontro celestial e do abraço dolorosamente prometido.
A saudade da mulher amada, que no ventre carrega o fruto do amor verdadeiro e que a vida teima manter longe para o bem maior dos dois, aguardando o abraço, agora a 3 que o seu corpo protege.

E é isso o Natal: o abraço sentido. O abraço que o amor exige e que o corpo manifesta instintivamente.

Recebe pois o meu abraço. Forte, carregado de amor sincero, regado com muita saudade e com um “Feliz Natal” carinhoso nos lábios. De mim, para ti.

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Traz a tempestade contigo


Traz a chuva. Daquela que impiedosamente cai sobre os ombros e, até à alma chega fria e pesada. Traz também o vento, forte e que tudo revolteia, levando à frente o que se atravesse no seu caminho.
Traz toda a tempestade, toda a tormenta, toda a fúria que só a mais perfeita das tempestades sabe criar.
Preciso de acalmar o meu coração, fazê-lo acreditar que ainda existe, que ainda bate por um motivo, que ainda há vida em mim. E apenas o turbilhão de uma tempestade, consegue serenar o frenesim abismal que nele habita, que dele se alimenta e se amplia, a cada dia que teima em nascer; um atrás do outro…

Traz tudo o que te peço, ainda que que tu não fiques. Ainda que tu apenas carregues contigo, toda essa magnífica intempérie e comigo a deixes, afastando-te em seguida. Mas traz. E vem também. Para que o meu coração finalmente se acalme com a agitação que é saber que vieste, ainda que não venhas para ficar…

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Olho para ti


Olho para ti, observo cada gesto teu.
Memorizo cada movimento, cada expressão.
Oiço o som da tua voz e o compasso do teu respirar.
Bebo de cada segundo,
Que me presenteias com o teu ser.
Porque amanhã pode já ser tarde demais.
Amanhã posso já muito te querer,
E não te poder ter.
Deixa-me olhar de novo.
Prender a tua essência em mim,
Com cada poro da minha pele.
E comigo levar-te sempre, sentir-te sempre.
Ter-te sempre.
Para quando aqui não estiveres mais.
E a ti já não tenha mais.
Em mim possas sempre morar.
Para que hoje e até quando a mim voltes,
Não me pareçam cem anos de solidão,
Horas eternas de esquecimento,
Dias infinitos de saudade.

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Fazes-me falta


Fazes-me falta. Enquanto serenamente inspiras uma golfada de ar, mais um segundo da minha existência se contorce com saudades de ti, com falta de ti. E não sei porque antes não conseguia ver. Não queria admitir. Tinha medo de sentir. E agora já não estás aqui. Agora fazes-me ainda mais falta. Como ar que respiro. Enquanto inspiras e expiras descontraidamente e segues a tua vida, tenho saudades de ti.

E tu nem imaginas, não sabes, não sonhas sequer como me faltas, como imagino o som da tua voz, as curvas do teu rosto quando sorris e a doçura dos teus beijos meigos, carregados de dedicação… E fazes-me falta. Completas-me, pertenço-te. E agora já não estás aqui. E eu quero-te aqui, quero os teus braços em mim, os teus beijos no meu ouvido e a ti. Porque tenho saudades de mim. Porque só contigo existo.

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Já te disse que tenho ciúmes?


Já te disse que tenho ciúmes? Não daqueles doentios, que tudo controlam e asfixiam o sopro de vida do amor. Daqueles que borbulham cá dentro, ruborizam a face e aceleram a pulsação. Dos que a saudade fielmente estende a mão e com eles palmilha eternidades, mantendo vivo todo o sentimento que a dois fez fervilhar o sangue.
É desses que tenho. E são de ti. Porque quando nos meus braços não estás, toda uma brisa fresca, um raio de sol quente e uma pinga de chuva fria te tocam, te beijam, te sentem. E eu não. E tenho ciúmes. Borbulham cá dentro, fazem-me ficar de rosto afogueado e o meu coração dispara.

E mesmo quando estás comigo tenho ciúmes. Quando me falas de lugares que estiveste, pôr do sol que contemplaste, melodias que ouviste. Porque contigo não partilhei. Mas não te digo. Não quero que saibas que secretamente, te quero por completo para mim, egoistamente, apaixonadamente. Só para mim.
Por isso quando estou contigo me vês ruborizada, de pulsação acelerada e a borbulhar de sentimento. Porque tenho ciúmes e te desejo sempre para mim, só para mim.

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O teu abraço


O teu abraço. Porque ainda é no teu abraço que pertenço. É naquele encontro entre o meu rosto e o teu peito, acompanhado pelo calor dos teus braços prendendo-me a ti, que pertenço. Porque é ali o meu lugar por direito. E por ser de inquestionável designação da Natureza, morar nesse recanto de precioso deleite, onde encaixo na perfeição.

Movemo-nos como um só. Perfeitamente ritmados, ao som do nosso respirar. E ouço o bater do teu coração. Calmo, paciente, ponderado. E acalmas o meu. Serenas o meu corpo. Tranquilizas a minha alma. Roubas-me as palavras, fico no silêncio e mergulho no saboroso prazer de apenas aqui estar, no divino encontro do meu rosto com o teu peito. Porque é no teu abraço que pertenço. E que vou pertencer…

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E deitas tudo a perder


E deitas tudo a perder. Como se o que perdes não fosse nada de importante, nada que te faça falta, que te trave o respirar e te arranque qualquer réstia de vida do teu ser. Quantas vezes mais irás partir o meu coração? Quebrá-lo assim, em milhares de pedaços e pisá-los com descuido abismal? Sempre que consigo reuni-los a todos, num puzzle minucioso e carregado de dor, erguendo-me de novo, confiante que não mais se quebrará, apareces tu e deitas tudo a perder. E mais uma vez se quebra. Mais uma vez TU o quebras.

Quantas vezes mais irás partir o meu coração? Não acredito que não penses, em como já tantas vezes o quebraste. E que não sintas a minha falta e não sintas um frio no estômago, como um soco de fúria que te atira ao chão, quando te lembras de mim! Porque sei que te lembras de mim. Mas deitas tudo a perder. Uma vez mais. Outra vez. Vezes demais. Como se o que perdes não fosse nada de importante, nada que te faça falta e te atire ao chão…

E talvez não seja importante, talvez não te faça falta. Talvez só eu mesmo fique atirada ao chão, a apanhar os milhares de pedaços do meu coração. Mas que o soco que de fúria, que te atinge quando sentes a minha falta, te tire o ar, e te recorde que és tu quem deita tudo a perder. E que é o meu coração que quebras. Vezes sem conta.

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Caminha comigo


Caminha comigo.
Dá-me a mão e apenas caminha comigo.
Não precisas falar, não precisas sequer me olhar.
Somente passeia do meu lado,
Sente o calor da minha pele,
Sente o meu pulsar de vida,
Ouve o meu respirar compassado.
Consegues escutar a minha serenidade?
Consegues ver o meu pensamento urgente?
Saborear o meu sentimento sincero?
Tocar a minha alma pura?
Consegues sentir o aroma da minha ingenuidade?
Caminha comigo.
Não fales. Fecha os olhos, dá-me a mão.
E deixa os teus sentidos fluir.
Deixa-os simplesmente guiarem-se por si mesmos.
Deixa-os seguirem o caminho que os atrai,
Que os chama inevitavelmente, irresistivelmente.
Deixa-os. Vê onde te levam.
Encontrarás a serenidade, o pensamento urgente,
O sentimento sincero e a alma pura…
Encontrarás, sim.
Porque eles levam-te até mim…

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Hoje tenho ódio de ti


Hoje tenho ódio de ti. Perdoa mas hoje estou assim… Nunca te pedi nada. Nem pedi ao Destino que nos fizesse tropeçar nos sentimentos um do outro. Também odeio o Destino hoje. Na verdade odeio tudo o que te fez entrar em mim. Assim, de mansinho, sem eu notar, sem me aperceber. No meio do irresistível magnetismo que nos atraiu (e atrai…), entraste em mim, sem eu sequer dar conta, sem eu permitir,mas sem receio dar permissão. Mas tu não. Na insegurança, na indecisão, no medo. Foi no meio desse navio de “e se”, que o Destino me fez tropeçar em ti…

E mesmo assim nunca te pedi nada. Não te pedi para me amares, embora o desejasse secretamente. Não te pedi para lutares por mim, embora os meus olhos sempre gritassem o que o meu coração escondia. Devia ter pedido. Devia ter falado. Devia ter gritado.
Por isso hoje tenho ódio de ti. Tenho ódio de ti, porque me odeio a mim… por te amar e não dizer, por te querer e não te ter…

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Num dia de chuva


Num dia de chuva, o calor de um abraço,
Apertado e sentido, me fez estremecer.
Subi aos céus e o calor desse abraço me trouxe de volta.
Uma palavra doce, pequena e singela, poderia mudar muito…
Mas foi um beijo, meigo, longo e profundo, que tanto mudou…
Um toque suave, como uma brisa quente de verão,
Um sorriso sincero, como uma alegria divina,
E um olhar intenso, como um fogo desenfreado,
Foram capazes de me arrebatar.
Num dia de chuva, o amor me sorriu,
Deixou-me desarmada, seguindo instintivamente,
Aquilo que o meu coração mandava.
Mas num dia de chuva, o calor do abraço,
O beijo doce, o toque suave,
O sorriso doce e o olhar intenso,
De mim se separaram.
Fiquei só, com a lembrança do dia de chuva,
Que trouxe o amor, doce meigo e profundo
Que me sorriu e me fez estremecer.
E em cada dia de chuva,
Sinto o calor do abraço, o beijo doce,
O toque suave, o sorriso sincero e o olhar intenso.
Porque vive dentro de mim,
A lembrança daquele que me fez sentir assim.
Por isso amo os dias de chuva.
Amo, porque me fazem sentir-te dentro de mim…

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