Há muito tempo, escutei uma voz doce e meiga falar-me ao ouvido. Dizia-me para lhe dar a mão e segui-la. Era só um vulto, e eu seguia-a, planando. Creio que era um sonho. Mas um sonho bom!… porque a doçura daquela voz de menina e, aquela mão meiga que me agarrava, aqueciam-me a alma e nela encontrava o meu lar, a minha serenidade. E a voz falava-me de amor, de um amor imensurável, maior que a vi
da e carregado de devoção instintiva e imediatamente reconhecida como eterna…
Quanto mais aquele vulto seguia, mais sentia que o deveria fazer sempre, para sempre, e tomá-lo nos braços, encostá-lo a mim e cegamente sem reservas caminhar com ele.
Desarmava-me com uma gargalhada fresca, como gotas de orvalho pela manhã, sossegava o meu espírito inquieto com palavras de conforto como um regaço maternal. Num longo e terno passeio, entrecortado com tempo, sim, porque aquela voz dizia-me que havia tempo! Tempo para sentir o aroma de uma rosa em botão, ou escutar uma melodia impossível de reproduzir, que uma majestosa ave trinava alegremente! Porque em tudo havia beleza, felicidade, desde que o nosso coração estivesse disposto a ver tudo com amor, um amor impossível de igualar, somente passível de humildemente, se sentir…E aquele vulto, com voz de menina, doce e meiga que eu seguia, prometeu amar-me incondicionalmente. Parou à minha frente, deu-me as mãos para de novo lhe sentir o calor reconfortante e jurou amar-me. Disse mesmo que já me amava antes de me chamar até si, neste passeio caloroso. E disse-me que me tinha escolhido, há muito tempo decidido, que era mim que queria, que a mim pertencia e que a mim há muito já protegia e que iria sempre proteger. Mas agora de forma diferente, de modo a que não apenas num sonho eu a reconhecesse… Então, aproxima-se de mim, abraça-me com ternura e sussurra-me com aquela voz doce de menina ao meu ouvido: acorda mamã, em breve vou crescer dentro de ti!…
Copyright Oficial 2016 ©