Vivo porque te amo


Como dizer que vivo, em cada minuto que passo contigo,
Se em cada segundo que não te tenho,
Vou murchando como uma rosa, sem água para viver?
Como dizer que sonho,
Se em cada realidade que contigo vivo,
É como um sonho, que acordada eu vivia?
Como dizer que te amo, se te sinto parte do meu ser,
Unida a ti como um só,
Ficando um todo de vida, vivendo o mesmo amor?
O Tempo…
O Tempo diz-me que é tão cedo!…
Que vivo ainda pouco de uma vida,
Que muito mais me fará viver,
Cada segundo da qual ela é composta…
Mas o tempo não imagina, não entende sequer,
Que cada vez que respiro a teu lado,
Milhões de segundos são por mim vividos,
E a ti unidos,
Como um sonho que se realiza e tanto me faz viver!
Fecho os olhos. Respiro fundo. E entendo.
Sim, entendo.
Vivo, porque te amo,
Sonho, porque vivo
E amo-te, porque em ti vivo!

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Quanto de mim há em ti


Quanto de mim há em ti?
Quanto de mim permanece incontornável em ti?
Quanto de mim te faz saber o que sou para ti?
Chama forte e intempestuosa,
Que tudo consome e cedo se apaga?
Ou brasa quente e brilhante,
Que arde em surdina, mas tudo aquece?
Como vives a minha presença em ti?
Perpetuas cada memória doce e intensa que vivemos,
Como se nunca, fisicamente, nos tivéssemos separado?
Ou guardas a minha essência a sete chaves,
Evitando estremecer de saudade e desejo,
A cada memória revivida?
Sentes a minha presença em ti?
Sentes? Como eu sinto a tua em mim?…

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Ouvi a tua voz


Ouvi a tua voz. Ouvi mesmo proferires o meu nome, seguido de uma dura frase, que incluía desilusão e tristeza. Não… não digas!! Não quero ouvir de novo!! Conheço dolorosamente o desfecho das palavras que vais dizer. Não lutei. Fui fraca. Não acreditei. Ao primeiro indício de tempestade, fugi para me abrigar, ao invés de enfrentar a tormenta e correr para te abraçar…
E ali fiquei, escutando a tua voz carregada de desapontamento e incredulidade, enquanto a tempestade se afastava e tu com ela desaparecias… Perdi as esperanças. Resignei-me ao novo dia que a tempestade revelava e a todos os outros que se seguiram. Não irias voltar. Não irias perdoar. Não irias acreditar…
Ouvi de novo a tua voz. O meu nome sempre soou a meiguice nos teus lábios. Desejei escutá-la para sempre. Que em mim me acreditasses, que a mim me perdoasses e que para mim voltasses.
E de mansinho me procuraste… de mansinho me falaste… e de novo a tua voz eu ouvi. Mas a dúvida permanece: acreditarás tu em mim? Encontrarás tu perdão para mim? Irás tu querer voltar para mim? E amar? Sim… e amar?..

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Espera!


Espera!
Não vás! Fica! Peço-te! Não vás!
Tenho tanto para te dizer, mas tu não me ouves.
Corro para te alcançar, mas não consigo.
Grito o teu nome, mas não me respondes.
Já é tarde…
Espera!
Onde estás? Está escuro, não te vejo!
Deixa-me seguir-te! Não me deixes só!
Porque não me respondes?
Porque me deixas chorar, sem saber porquê?
Porque me deixas abraçar, se não te posso ver?
Espera!
Quero dizer-te o que sinto.
Quero gritar-te que fiques, quero alcançar-te…
Mas não consigo… Não me deixes só!
Não vás! Fica! Imploro-te! Ouve-me!
Grito o teu nome, mas não me respondes.
Deixa-me seguir-te! Não me deixes só!
Tenho tanto para te dizer!
Espera!
Olha para trás, sou eu que te chamo!
Olha bem para mim!
Não me vês? Não me ouves?
Espera!
Não vás! Fica! Peço-te! Não vás!

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Há dias assim


Há dias assim. Em que a chuva bem que podia cair impiedosamente, acompanhada de um medonho, pesado e imponente céu cinza e negro. Daqueles em que o dia escurece desalmadamente e nos sentimos de imediato arrebatados pela melancolia e fúria descontrolada, que uma tempestade tão perfeitamente arquitecta…
Mas não.
O sol brilha forte e irónico, faz pouco caso daqueles que hoje pura e simplesmente o repudiam. E ainda atrai o majestoso céu azul, repleto de beleza digna de uma tela, para consigo criar um dia maravilhoso. Tudo parece perfeito. Perfeito para quem hoje abraça a perfeição como uma bênção merecida e reconfortante.

Mas para mim hoje não. Há dias assim. Em que só a maravilhosa grandiosidade de uma tempestade, acalma a tormenta que o meu coração corajosamente enfrenta…

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Procura-me


Procura-me
Não me procures na brisa suave,
Quente e morna que docemente, beija o verão.
Não estarei nessa atraente troca de serenidade.
Procura-me na ventania de outono,
Que todas as folhas leva consigo,
Arrancando cada pedaço dourado e amarelo,
Que tão urgentemente as árvores guardam para si.
É aí que me encontras, entre o frenesim esvoaçante e alegre,
Que eleva mil tons de amarelo no ar.
Não me procures na doçura de uma onda calma,
Desmaiada na preguiça da areia mais fina e quente.
Não estarei nessa maravilhosa tela de romance e sedução.
Procura-me nas ondas rebeldes, que tudo sacodem à sua passagem,
Chicoteando salpicos de espuma bem no alto.
É aí que estarei viva, troçando dos casais apaixonados,
Que à beira mar reproduzem uma qualquer passagem do mais romântico filme de cinema.
Não me procures na mais bela sinfonia clássica,
Perfeita em toda a sua harmonia musical,
Que se impõe em todo o seu esplendor,
Com a altivez merecida de uma imperatriz.
Não estarei nessa elegante e maravilhosa bênção dos deuses.
Procura-me numa gargalhada estridente, trapalhona e audivelmente indiscreta,
Que incómodo, ou divertimento provoca a quem a inadvertidamente escuta.
É nessa despreocupada e inconveniente risota que existo,
Alheia de toda e qualquer crítica merecidamente dirigida.
Mas procura-me.
Não deixes de me procurar.
Não sou fácil de ser encontrada. Sou até bem mais desafiante e complicada de encontrar.
Mas não deixes de me procurar.
Pois no instante em o faças,
É o momento em que a brisa acalma e serena,
O mar desmaia lento e preguiçoso,
E a gargalhada dá lugar a um sorriso triste e mudo.
Procura-me,
E encontrar-me-ás.

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Respira-me outra vez


Respira-me outra vez
02h da manhã. Acordada. Às voltas na cama até. Tenho saudades tuas. Faz duas semanas que não te vejo, que não sinto o inebriante aroma da tua pele, nem sinto o calor desse teu corpo que me incendeia por dentro, objecto do meu desejo…
Fecho os olhos. Decido mergulhar numa de muitas deliciosas lembranças que a dois vivemos. Escolho aquela em que os teus olhos falavam alto. Gritavam até. Ao mesmo tempo que a tua boca calava entre morder dos lábios, o que os teus olhos audivelmente afirmavam: “Quero-te. Nem mais um segundo suporto apenas olhar-te. Quero provar-te. Ter-te nos meus braços. Respirar-te.”
E beijaste-me de rompante. Com a tua mão no meu pescoço. Respiraste-me mesmo. Perdi o fôlego. E perdi-me em ti. Saboreei as tuas mãos pelo meu corpo e cada beijo que com elas imediatamente se seguia, antecipando o êxtase, que tão perfeitamente se conjuga.
Adormeci. Não saíste mais dos meus sonhos. Inevitavelmente, deliciosamente, desesperadamente.

E de manhã acordei, ainda mais revoltada com a maldosa saudade que caprichosamente se apodera de ti. De birra com o dia, decido levantar-me e recebo um “olá, como estás?” no telemóvel. Sorrio embevecida. Terás sonhado comigo também?…

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