Aqui te escrevo


Será que me vês? Será que me sentes?
Será que te lembras de me ver, de me sentir?
Ainda me lês? Ainda me quererás ler?
Será que ainda o saberás fazer?…
Já não oiço o teu coração chamar por mim, urgente,
Ecoando a tua vontade em cada sopro que o vento uiva.
Já não vejo escrito nas estrelas,
Nem no brilho que tinham,
E que me guiava até ao teu querer, até ti.
Já não sinto a tua essência a rodear-me, a inebriar-me,
A seduzir-me e prender-me, como ar para viver, a ti.
Sinto que te perdi, que perdi o que achava que era meu.
Mas como se pode perder o que nunca nos pertenceu?
Porque tu pertences ao vento, às estrelas, a tudo aquilo que inevitavelmente é atraído para ti,
Como parte de um todo que etereamente vive…
Em todo o lado.
Mas sinto que te perdi para esse todo de vazio.
Ou que me perdi a mim, nesse nada de um todo,
Que esse vazio transborda…
Então talvez já não me vejas, já não me sintas.
Talvez já nem me leias, nem o queiras ou saibas fazer.
Mas aqui eu fico. Aqui permaneço.
Aqui me mantenho, resiliente, e te escrevo.
Ainda que não me leias, aqui te escrevo.

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2 comentários em “Aqui te escrevo”

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