E abracei então a escuridão, deixei-me envolver pelo silêncio que me seduzia e permiti o pensamento viajar, completamente afundada na minha cama. Não sei se dormi e sonhei, ou se sonhei acordada, num misto de transe hipnótico, em que apenas me guiava pelo meu subconsciente. E lembro-me… não estava mais no meu quarto, nem afundada na minha cama. Na verdade nem conseguia visualizar onde estava: a escuridão tinha viajado comigo para lá também. Mas o silêncio não… ouvia nitidamente, sussurros entrecortados, respiração profunda e palavras soltas a meia voz… “Desfruta”, “Sente”, “Entrega-te”… E no meu corpo sentia a respiração quente e perto, bem perto, tanto que me lancei para agarrar o autor de tamanha proximidade, simultaneamente inquietante e irresistível. E encontrei-me imobilizada, impossibilitada de me soltar e com a escuridão a vendar-me os olhos…
Os outros sentidos entram num estado de alerta total, instintivo, primário. E cada toque ao de leve, cada gemido abafado, ou beijo mordido e demorado, ganha uma dimensão quase extra sensorial, que se extrapola por entre as veias, com a antecipação do que irá acontecer… assim, sem nada ver e sem nada poder fazer… a não ser aguardar, sequiosamente… um beijo longo e ardente dita o início de todo um orquestrar sincronizado de mãos a explorar e a guiar, mordidas pejadas de húmido desejo e paixão carnal. Movimentos curtos e determinados, intercalados com outros lentos e profundos, até me roubar todo o ar no meu peito existente. A ausência de controlo hipnotiza-me e anseio a cada pausa breve, que todo o desejo em mim cada vez mais acumulado, seja domado, reclamado, apaziguado… saciado!..
Mas um sussurro arrastado, bem perto do meu ouvido, castiga-me cruelmente: “ainda não…” E acordo sobressaltada, ainda sem entender se sonhara acordada, ou se dormia e sonhava. Somente o silêncio fielmente me envolvia e… uma venda, em cima da minha cama caída…
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Li alguns dos testos e gostei imenso (falam de amor/desamor)… são muito intimistas e reveladores de uma pessoa romântica, sofrida mas muito lutadora e corajosa 🙂 A solidão, por vezes permite valorizarmo-nos e aprendemos a gostar mais de nós… És também muito realista… tens os pés bem assentes no chão, apesar de os teus pensamentos de te levarem longe… Este texto, tem um erotismo interessante mas consciente!!… por vezes jogas um bocado com as palavras… Vais longe!!… PARABÉNS!!… Experimenta também outros temas… Gostei Muiiiiiitoooo!!!… continua…
Brigadaaaaa!! Fico muito orgulhosa com as palavras de agrado!!
Vou explorar muitos mais temas!! 😉